quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Vamos personificar!!


Há algum tempo escrevi no meu blog algo sobre personificar os sentimentos, talvez porque algumas coisas que nós sentimos sejam tão intensas que quase podemos tocá-las.
Personificar é dar características humanas (ou quase) a seres inanimados, e um sentimento que às vezes me envolve muito, parece possuir duas faces distintas (quase uma geminiana!) É a saudade...
Ah! A saudade... em sua primeira versão, ela é doce, tem os olhos brilhantes e úmidos, um rosto meigo, onde se vê estampado um sorriso leve. Tem um cheiro doce e suave e sua pele é macia e quente. Já a segunda versão é assustadora, e capaz de amedrontar desde o mais fraco e comum dos mortais até os Hércules e Aquiles, que são inclusive semi-deuses e metidos a imbatíveis!
Esse é o lado frio, assombroso, é um monstro enorme, de olhos vermelhos e longas e mortais unhas afiadas, seus olhos transmitem horror, desespero, dor, sua pele é áspera, fria, cheira à algo pútrido, podre, mofado, além de nos causar feridas incuráveis e cicatrizes que volta e meia sangram.
Zeca Baleiro diz que “a saudade é prego e parafuso, quanto mais aperta, muito mais difícil arrancar.” Talvez por isso seja doce no início, agradável até, mas quanto mais aperta, mas ela faz sofrer, sangrar e inocula em nosso íntimo um vírus terrível e indestrutível chamado sofrimento.
Para nos fortalecer dos cortes da saudade, temos o amor... Que coisa boa, não?!
Vejo o amor como um anjo lindo! Possui enormes cabelos negros, pele extremamente clara e que não esboça nenhum vestígio de sexo. Isso mesmo, é assexuado, ou talvez tenha a união deles, não importa, sei que o amor é um anjo lindo, com enormes asas de um azul clarinho e seu cheiro, nossa! É totalmente envolvente, embriagante. Esse anjo vê tudo, sabe de tudo, não julga, não condena, não nega nada, tem os olhos da cor de suas asas e um olhar tão sublime que tem um poder mágico: transmite um sentimento de segurança total. E o melhor é que ele é onipresente, ou seja, está em TODOS os lugares ao mesmo tempo, e onde ele está, tudo é lindo, tudo é tranqüilo e a paz é infinita, e quem ama consegue enxergar um pontinho azul luminoso logo acima do ombro esquerdo do ser amado. E como diz o meu amado Djavan: “O amor é azulzinho” Mas dizem que um pouco antes desse anjo lindo abrir e fechar suas asas duas vezes sobre quem realmente ama, sente-se um comichão chamado paixão! (até rimou!) Essa é do sexo feminino, certamente! É linda, voluptuosa, tem curvas dignas de se derrapar, “Como diz a minha linda Isa, que é bela, Isabella Taviani. A paixão aguça os sentidos, entorpece as reais percepções da realidade, destorce o juízo! Seus olhos são encantadores, lascivos, de um lilás intenso, insinuante, penetrante. Sua pele é aveludada, dessas que se quer tocar todo o tempo, seu perfume é inebriante, e seu rosto é malicioso, safado! Mas cuidado! Ela não é tão confiável assim... Como ela tem o poder de entorpecer as reais percepções, ela pode enganar, manipular, ser indigna de tanta confiança e entrega, ou não, se realmente esse sentimento se tornar sólido e “azul”, o anjo lindo e a voluptuosa mulher andarão sempre juntos!
Por falar em confiança, vejo-a como uma criança de colo, um bebê. Extremamente frágil ao ser manipulada, totalmente moldável, adaptável, quase como um cristal que espera ser lapidado para se solidificar. Um bebê apreensivo, de enormes olhos arregalados, esperando absorver tudo de novo existente à sua volta. Existe dois modos distintos de se cuidar desse bebê. O primeiro é o mais indicado, pois é verdadeiro, sincero, transparente, regado à muito diálogo e espontaneidade, o que resultará em um belo diamante límpido, firme e eterno.
O segundo é mortal, pois uma única vez mal manipulado, esse bebê de cristal pode ruir em milhões de pedacinhos quase milimétricos, e que não se é possível a reconstrução perfeita jamais, e o pior e que mesmo depois de consolidada, mesmo após se tornar o mais rijo dos diamantes, pode acontecer que se quebre em pedaços e assim, a união do diamante nunca será total, ficarão faltando pedacinhos imperceptíveis, mas que um dia foram vitais.
Muito aliado à esse bebê, temos o ciúme! Esse é terrível. Vejo-o como um arqueiro de lata precisão, com olhos de águia e percepção de pantera, e onde o ciúme lança a sua flecha negra, paira no alto uma sombra cinza e fria, um misto de auto-piedade e ira, aliado a um sentimento distorcido, turvo e inexplicável de inquietude.
E por fim, mas não por isso menos importante, serei breve ao falar do bem-querer: Esse é um anjinho miúdo, gordinho, de cor clarinha e com umas penugens de cor rosinha clara no alto da cabeça!
Enfim, vou parando por aqui pois está a passar a minha diva Ana Carol, na tevê e me foi embora a inspiração, e também pra não fazer de minha estréia por aqui tão cansativa!